Entre o afeto e a biologia
um ensaio crítico sobre a antropomorfização de pets silvestres
DOI:
https://doi.org/10.33872/revcontrad.v7n1.e086%20Palavras-chave:
Antropomorfização. Bem-estar animal. Posse responsável.Resumo
A crescente inserção de animais de origem silvestre como animais de companhia intensificou as discussões sobre a antropomorfização nas relações humano-animal. Este ensaio analisou criticamente suas implicações psicológicas, biológicas e éticas para os pets silvestres, integrando evidências da Psicologia, Etologia, Medicina Veterinária, Ciência do Bem-Estar Animal e Ética Animal. A literatura indica que a antropomorfização constitui um processo cognitivo natural, capaz de fortalecer vínculos afetivos e favorecer a empatia, não sendo, por si só, um comportamento patológico ou inerentemente prejudicial. Entretanto, quando passa a orientar decisões de manejo, pode resultar em práticas incompatíveis com as necessidades fisiológicas, comportamentais e cognitivas das espécies. Nessa perspectiva, o bem-estar animal emerge como o principal critério para avaliar a qualidade do cuidado, deslocando a discussão da intenção do tutor para os efeitos produzidos sobre o animal. Conclui-se que a posse responsável de pets silvestres depende da conciliação entre o vínculo afetivo e o respeito às necessidades espécie-específicas, integrando conhecimento científico e cuidado responsável.
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