Mulheres no cárcere:
O impacto psicossocial e a invisibilidade das especificidades do gênero
Palavras-chave:
Abandono, Encarceramento, SistemaResumo
Objetivo deste trabalho é analisar os impactos psicológicos sofridos por mulheres em condições privativas de suas liberdades, mostrando como o encarceramento no sistema prisional no Brasil, afeta não apenas a integridade psíquica das detentas, mas também seus ciclos familiares, sociais e afetivos. O aumento alarmante do encarceramento feminino nas últimas décadas, mostra um sistema penal cada vez mais insensível as especificidades de gênero. Boa parte das mulheres presas, está introduzida em situação de extrema vulnerabilidade no que tange económico-social, muitas vezes marcadas por relações afetivas abusivas, intimidação e vínculos fragilizados. Muitas mulheres acabam entrando nesse mundo criminal, através de seus parceiros, maridos, praticantes do ilícito. Sendo assim, assumindo papéis secundários na própria organização criminosa, sendo facilmente descartadas pelo próprio sistema. Uma vez inserida no sistema prisional a maioria dessas mulheres, acabam tendo que lidar com o abandono desses mesmos parceiros, de suas famílias e a cruel distância dos seus próprios filhos, acarretando o distanciamento de vínculo entre mãe e filho, além da exclusão da sociedade e a dificuldade dentro do próprio sistema carcerário, por falta de política públicas de apoio. A metodologia usada foi a pesquisa bibliográfica, com base em obras doutrinárias, artigos científicos e relatórios institucionais, produzidos por organismo de defesa dos direitos humanos e do sistema de justiça criminal. A presente pesquisa traz um pensamento sobre o impacto psicológico e social dessas mulheres, com destaque no gênero que transpassam tanto a entrada no sistema prisional, a permanência e a volta dificultosa para sociedade.
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